. É GRAVE

Só me ocorrem pensamentos plúmbeos à medida que vou analisando os tiques, trejeitos e filosofia entranhada neste quotidiano português. Daqueles que fiquem com alergias ou comichões à crítica associando-a ao perro responsável pelo atraso do país, ou entonces aqueles que encarem uma crítica sendo-a não repetível como se fosse passiva de modas, ou então mesmo a todos os cínicos, incluindo a minha pessoa, e a todos os desgraçadinhos que se dizem sofredores da miséria, gostaria que vissem o mundo não tanto duma forma alienada mas como o único bem ou pertença comunitária. Não fosse ele uma nave espacial que alberga esta espécie.

Pois bem, nascer como se nascesse numa casta social, cunhado pela diferença económica, é algo que, não podendo ser garantido mas uma probabilidade aproximada, não seja a condição de mais de 5 % dos cibernautas que por aqui aportam. Comparar-se a miséria gemida à miséria desta condição é implicativo de empirismo, logo de experiência, e por sua vez pela 1ª pessoa.

O próprio blog não está acessível à maioria das pessoas que se encontrem em condições economicamente mais baixas, quer pelos meios físicos, quer pela probabilidade de se interessarem por uma porcaria destas. A própria linguagem cibernética é já um filtro às camadas mais desfavorecidas como a economia que está associada ao consumo dos meios néticos. Existem sim espaços gratuitos onde se possa navegar pela internet, como bibliotecas e juntas de freguesia, mas temo que tal seja tanto uma infíma parte de toda a massa que navegue virtualmente, como as próprias iniciativas sejam uma fachada de toda a filosofia política governamental.

Não deixo de elogiar os "utópicos" (porque o depreciativo associado a utopia foi inventado pelo que se diz "céptico" - quando na verdade é um pirrónico, ou dogmático, ou fundamentalista - o mundo para ser monopolizado terá que ser um meio fechado, é necessário criar-se uma redoma e estanques portanto), que persistem praticando a sua ideologia de progresso e Humanismo sobre a evolução humana.

Aqui é utopia, noutros sistemas é prática. A subjectividade arrasa o pragmatismo sobre a objectividade de um ponto de vista. Não querendo ser subjectivada, a forma do pragmatismo assume retoricamente o vestido do sofisma.

Diz, não sei que ditado ou dito oriental, que realmente o que interessa é percorrer o caminho e não o seu destino, tal como a evolução da filosofia abraçando o empirismo e todo o seu percurso de sensações, registos e observação. Não somente existe a intenção de se observar algo, como o querer-se saber mais sobre esse algo, estabelecendo-se que apesar do conhecimento absoluto ser uma hipótese não lógica, não deixar-se de ir apurando esse mesmo conhecimento, com a ferramenta como meio, que torna passivo o ir-se mais longe à voz do eco longínquo desta toda incógnita existência ainda por cima bebé.

O mundo como constructo que tem sido, sendo pertinente que há factualmente um tal de devir (palavra que em filosofia é associada ao movimento) nos mecanismos da História e nas metamorfoses das estruturas da Humanidade, não é, indubitavelmente, um mundo estagnado de ciclos repetitivos onde os acontecimentos retomam como dejavus dramáticos pela tragédia do ser humano nada poder fazer quanto à sua condição e à sua patologia (bipolaridade - animal, cognitivo). Não fosse assim teríamos permanecido hominídeos.

Por um lado o "homo" que se diz "homo", costuma associar o fenómeno guerra a um meio para determinado fim, criando réplicas filosóficas e associativas ao que foi a 2ª guerra mundial entre umas. Colando então toda a justificação ao significado duma guerra que está contextualmente e temporalmente desfasada. Sintetiza-se o tempo e o contexto a todo o fenómeno, tornando-o um ciclo com os mesmos atributos. Assim em exemplo, se existem guerras, e se seja apologista das mesmas, todas elas são 2ªas guerras mundiais e todas estão objectivadas com a mesma razão da 2ª guerra mundial. O ciclo dogmático e fundamentalista inscreve-se sobre a necessidade de guerra, ou por que desde sempre o homem esteve em guerra, ou porque a biologia seja ela um palco de guerra, ou porque a condição humana seja já um atentado ao cognitivo que se apercebe do horror de existir sendo já uma presa do tempo. Tudo isto em épico de tragédia que é utilizado como bilhete de passagem para uma justificação a priori à guerra. Toda a guerra será guerra e inevitável por toda a argumentação construida anteriormente.

Daqui o homem perde qualquer arbítrio sobre si mesmo, sua condição e entrega-a aos deuses ou ao Deus, ou a o que seja, representativo de toda a sua incapacidade em lidar com o crasso universo que por pouco não o esmaga. Kronos (titã, pai de Zeus) comia os seus filhos a fim de evitar por eles ser destituído, tal como dizia a profecia e Urano, seu pai, por ódio mantinha seus filhos isolados em prisão por tirania ou afastamento de poder. Friso que vários machos de distintas espécies animais, fazem o mesmo aos seus filhos. Não sendo excluído tal fenómeno nos seres humanos, e refiro uma analogia metáforica do sentido "comer" à intenção de diminuir ou neutralizar (não refiro os casos radicais onde não existe qualquer lirismo metafórico, mas os associados à destruição psicológica por várias formas), não fossem estes mitos representações (Freud atribuir-lhe-ia o termo psicanalistas) desse mesmo fenómeno antropológico.

A indagação à mitologia sugere que perante a impotência (neste contexto significando que só o será quando não consiga abarcar todo o poder sobre) sobre o mundo, o homem, cria as suas formas de poder ser "potente" perante ele. Validando essa proposição, o homem, através destes mitos sumariamente citados, associa o seu poder aos deuses engrandecendo a significação desse mesmo poder. Os deuses têm características antropomórficas de modo a que o homem possa ter características divinas.

No entanto Zeus irá quebrar a estafeta "genética" de tirania pelos seus progenitores, posteriormente ficando associado à criação da justiça. Justamente que os mitos sejam bastante mais subjectivos tal como o inconsciente humano, as propriedades que são transpostas ou os arquétipos que vão sendo projectados nos deuses, vão reflectindo não uma estagnação de ideais ou filosofias, mas o próprio devir delas, tendenciosos ao benefício da maturação civilizacional, quando não hibernada num dogma fechado sobre si mesmo, tão quanto um cão que morde a sua pata pensando por deficiência ou patologia, tratar-se de elemento hostil à sua sobrevivência.

Caminhamos para a liberdade de expressão e para o livro arbítrio, tal como a responsabilidade humana sobre os seus actos que em filosofias mais contemporâneas associa-a como representação dessa mesma maturação assumindo-a coordenada fulcral para tal objectivo.

E quero dizer eu com isto tudo? Que algo turva a sua objectividade e capacidade de discernir a análise, quem não considerar grave negligenciar-se a assunção do acto, pior, fazer parte da cultura. Uma mais notícia farol, indicadora de que algo realmente está podre. Gravemente ridícula como gravemente perigosa. Irá perpetuar-se um ciclo de indagnação, crítica, e em antítese todo o fluido que engendra o modus vivendis ao quotidiano do comum irá ser compactuante com esse mesmo alvo de crítica. A opinião será tão volátil como o álcool, e a inscrição manter-se-á ilegível. Registo-a aqui para que mais um pouco não deixe de ser enfatizada. Não relevo quaisquer teores de disputas partidárias pela infantil disputa entre PS e PSD, relevo o compactuar-se com a censura que me lembrou automaticamente a polémica que rondou os cartoons que satirizavam figuras islâmicas. Relevo o subreptício associado à manha tão tipicamente portuguesa. Se uma sociedade ocidental se diz permissiva e democrática à liberdade de expressão, tal sociedade só poderá ser o arquétipo ou seguir o mesmo princípio que profere. E isso não aconteceu com a piada de Fernando Charrua sobre o 1º ministro.


Expresso online

Governo reconduz Margarida Moreira na DREN
Rosa Pedroso Lima
Há dois anos que está no cargo, mas a lei orgânica mudou e Margarida Moreira podia "cair". Sócrates e Lurdes Rodrigues seguraram-na. E voltaram a nomeá-la.
Governo reconduz Margarida Moreira na DREN

João Carlos Santos

Não há dúvida que o primeiro-ministro e a ministra da Educação querem Margarida Moreira à frente da DREN

Margarida Moreira, há dois anos responsável máxima da Direcção Regional de Educação do Norte (DREN) foi, hoje, reconduzida no cargo. Em despacho, hoje publicado no 'Diário da República' e assinado pelo primeiro-ministro e pela ministra da Educação, a directora regional vê o seu lugar garantido através de uma nova nomeação.
A recondução de Margarida Moreira surge na sequência da alteração da lei orgânica do Ministério da Educação. Por norma, esta alteração legislativa acarreta a cessação automática de funções dos altos funcionários, precisando, para que tal não se verifique, de uma recondução oficial nos cargos que ocupam.
Depois da polémica causada pela suspensão de funções na DREN do ex-deputado social democrata, Fernando Charrua – na sequência de uma alegada anedota que contou sobre o primeiro-ministro – o Governo podia ter optado por deixar sair a directora regional. Hoje, mostrou que não o quer fazer.







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